Domingo, Dezembro 25

A gente não deveria amar tanto...

Amar...Desamar...Amar...Como podemos gostar tando de alguém e sofrer tanto...Como podemos amar tanto uma pessoa, mesmo sabendo que nunca daria certo...Mas o sentimento chega sem pedir licença e quando percebemos, já está aí, dentro da gente.

Vai falar com o coração: não vai dar certo, somos diferentes, esqueça esse aí, vamos procurar outro menos complicado, que pense como a gente. Não adianta, ele não escuta! Nem está aí pro que a gente pensa. Só quer saber de amar e amar...Aí que gente sofre e sofre...Porque só amor, isso mesmo, somente amor, não é garantia que um relacionamento vá dar certo.Outras coisas estão em jogo, e fazem a diferença. E mesmo sabendo que não é essa a pessoa com quem sonhamos, não deixamos de amá-la...E é aí que a gente sofre...Tantos conflitos, desentendimentos, e passamos por cima de quase tudo pra não sofrer com a separação...E é aí que a gente sofre...Até o dia em que chega o limite, e o orgulho e a razão, que estavam lá no fundo, escondidinhos, se revelam. E é a hora do fim... A dor é tamanha, que é quase palpável, física. O chão se abre, e a gente se perde por esse poço vazio. E é aí que a gente sofre...

Terça-feira, Dezembro 6

Dignificar o nome de Portugal ou desrespeito?

No seminário "Luso-brasilidade: Reflexões e Atualidades", Miguel Mestre expõe [faca de dois gumes]: Enfim, "dignificar o nome de Portugal" ou, realmente exista nesta sugestão o desrespeito pela natalidade dos portugueses?
 
O secretário de Estado da Juventude, Alexandre Miguel Mestre, deu a entender, numa intervenção a partir do Brasil, que os jovens portugueses que não encontram colocação no mercado de trabalho estão acomodados à situação, no que o governante chama de “zona de conforto”, pelo que o seu conselho é muito direto: emigrem. As declarações foram registadas pela Agência Lusa na madrugada de domingo e ontem, ao final da noite, eram um tema favorito nas redes sociais.
 
"Se estamos no desemprego, temos de sair da zona de conforto e ir para além das nossas fronteiras". Foi este o conselho dado pelo secretário de Estado da Juventude e do Desporto, Alexandre Miguel Mestre, aos jovens desempregados portugueses.
 

Domingo, Outubro 30

Qual é a cor do amor?

Qual é a cor do amor?... Para mim é da cor do arco íris... Azul da cor do céu, amarelo da cor sol, cinza da cor das nuvens em dias nublados, transparente da cor da chuva, brilhante como as estrelas, branco como a lua transmitindo paz, preto no contrastes das noites estreladas, verde como a esperança, vermelho como o fogo que nos alimenta em dias de frio, invisível como o ar, o tempo e perfeitamente colorido como amor de Deus por toda humanidade. O Amor tem a cor dos sentidos que dermos a ele. É vida plena administrada pela fé conscientes do grande amor que unem a todos na ciranda da vida. Então, faço votos para que sua vida seja um eterno bailar de cores resplandecentes. Na verdade tudo que todos desejam está além do arco íris e sabe porque? Sempre falta algo para se alcançar. Deus te abençoe e realize seus sonhos mais coloridos.

Domingo, Outubro 9

Cultivar o lírio desassossegado

Dormir a vida, pra quê, se podemos cultivar os lírios?
Não gosto de dormir; tenho a impressão que a vida passa mais rapidamente e a morte chega mais perto.Se pudesse, bebia todas, comia todas, via a lua nascer e sumir...o sol ir e vir...até a primavera voltar e o outono, também. Adoro outono. É pra ver as folhas caírem...Passa-me a idéia de renascimento...Já viu uma gaivota voando no infinito do céu azul? Já viu uma centopéia seguindo seu caminho...que paciência...parece que nunca vai chegar...mas ela sabe que vai. Quando custa ao beija-flor polinizar a flor? E porque todas as águas doces correm para o mar? E por que o mar continua salgado? Parece coisa de gente...Tanto carinho recebe e continua salgada...Por que o mundo é doido? Ora, também pudera...Cheio de gente doida. Sabia que você é também desajustado, desmiolado, desequilibrado...Não adianta se esconder atrás desse sorriso...um pouco mais ou um pouco menos, mas é...É por isso que a vida é desassossegada, atribulada e corrida...Cheia de gente pressurosa...Você está parado, mas doido pra correr, desimbestadamente...É ou não é? E como mudar? Se forem para a roça, vão queimar o roçado, dizimar o pouco do verde que sobra e a fauna some...É melhor mesmo ficar na cidade, pensando que é são, vendo a vida passar, e descuidado, como disse o Raul Seixas, com a boca escancarada esperando a morte chegar.(José Valdir Pereira


A vida é mesmo isso. Nos ensina tanto e intensamente...
Exemplo disso é o grande e simples fato de, mesmo que amemos o contrário, não tiramos o amor do coração; 
Até podemos sorrir mesmo quando nos dizem não; 
Ainda, muitas das vezes quando curtimos mágoas, o tempo dessipa tudo e vem o rir de tudo; A vida ensina a sermos forte quando os que amamos estão com problemas;
"Instrui a amarrmos aos que nos machucam ou querem fazer de nós um depósito de suas frustrações e desafetos; 
Aprendemos também a pedir perdão; 
A sonharmos acordados e, voltarmos a acordar para a realidade (sempre que for necessário);" 
Desta maneira é a vida, nos ensina a sermos melhores;
A bem da verdade, vivência nos dá ensino para aproveitarmos dádivas, sabendo que existe um amanhã ou não. Tudo se resume ao fato de aceitarmos circunstâncias das escolhas feitas. E, este é o maior presente que posso, podemos ter. 
Assim sou e são pessoas que amamos, que chegam aos nossos corações sutilmente... 
Da forma sutil que chega a nós o rico e exposto "paper" do poeta das flores

Terça-feira, Setembro 13

Brasil avança menos que os países ricos em ensino superior

A distância que separa o Brasil dos mais ricos, que já era grande, aumentou ainda mais quando se compara a proporção de adultos com nível superior entre gerações.

A informação consta de um relatório da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) que será divulgado hoje.

O estudo, com indicadores educacionais de 42 países, alerta que, caso a proporção de brasileiros com nível superior não aumente em relação ao que é verificado hoje na população de 25 a 34 anos, o país ficará cada vez mais longe da média da OCDE, que congrega principalmente nações desenvolvidas.

Comparando apenas a população de 25 a 34 anos, o Brasil tem apenas 12% com nível superior, o menor percentual da lista. Entre 55 e 64 anos tem proporção um pouco menor: 9%. Isto indica que, entre gerações, o avanço é de apenas três pontos percentuais.

Na Coreia do Sul, país que mais avançou, esta diferença é de 50 pontos. Na média da OCDE, o avanço foi de 15.

Quando a mesma comparação é feita levando em conta a proporção de pessoas com nível médio completo, a análise fica mais favorável, com o Brasil tendo avançado mais do que a média.

O estudo permite também comparar quanto cada nação investe por aluno. No caso brasileiro, apesar de termos mais que dobrado o investimento per capita na educação básica na década passada, o valor segue bem abaixo da média das demais nações, o que revela o tamanho do atraso acumulado do país.

Nas escolas públicas de nível fundamental e médio, um estudante brasileiro custa US$ 2.098 (R$ 3.586) ao ano. Na média da OCDE, este valor, também apenas considerando a rede pública, é de US$ 8.111 (R$ 13.865).

O único nível em que gastamos mais por aluno do que a média dos países desenvolvidos é o superior, onde o custo é de US$ 11.610. A média da OCDE é US$ 10.543.

Isto faz do sistema brasileiro o de maior desigualdade quando se compara o investimento do poder público por aluno na educação básica com o que é gasto com um universitário.

Como o indicador é por aluno, o gasto maior per capita no ensino superior público não se traduz em uma quantidade expressiva de jovens atendidos nas instituições públicas. Pelo contrário, no Brasil, quatro em cada cinco matrículas de nível superior estão no setor privado.

Quinta-feira, Setembro 1

Primavera

A primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome, nem acredite no calendário, nem possua jardim para recebê-la. A inclinação do sol vai marcando outras sombras; e os habitantes da mata, essas criaturas naturais que ainda circulam pelo ar e pelo chão, começam a preparar sua vida para a primavera que chega.

Finos clarins que não ouvimos devem soar por dentro da terra, nesse mundo confidencial das raízes, — e arautos sutis acordarão as cores e os perfumes e a alegria de nascer, no espírito das flores.

Há bosques de rododendros que eram verdes e já estão todos cor-de-rosa, como os palácios de Jeipur. Vozes novas de passarinhos começam a ensaiar as árias tradicionais de sua nação. Pequenas borboletas brancas e amarelas apressam-se pelos ares, — e certamente conversam: mas tão baixinho que não se entende.

Oh! Primaveras distantes, depois do branco e deserto inverno, quando as amendoeiras inauguram suas flores, alegremente, e todos os olhos procuram pelo céu o primeiro raio de sol.

Esta é uma primavera diferente, com as matas intactas, as árvores cobertas de folhas, — e só os poetas, entre os humanos, sabem que uma Deusa chega, coroada de flores, com vestidos bordados de flores, com os braços carregados de flores, e vem dançar neste mundo cálido, de incessante luz.

Mas é certo que a primavera chega. É certo que a vida não se esquece, e a terra maternalmente se enfeita para as festas da sua perpetuação.

Algum dia, talvez, nada mais vai ser assim. Algum dia, talvez, os homens terão a primavera que desejarem, no momento que quiserem, independentes deste ritmo, desta ordem, deste movimento do céu. E os pássaros serão outros, com outros cantos e outros hábitos, — e os ouvidos que por acaso os ouvirem não terão nada mais com tudo aquilo que, outrora se entendeu e amou.

Enquanto há primavera, esta primavera natural, prestemos atenção ao sussurro dos passarinhos novos, que dão beijinhos para o ar azul. Escutemos estas vozes que andam nas árvores, caminhemos por estas estradas que ainda conservam seus sentimentos antigos: lentamente estão sendo tecidos os manacás roxos e brancos; e a eufórbia se vai tornando pulquérrima, em cada coroa vermelha que desdobra. Os casulos brancos das gardênias ainda estão sendo enrolados em redor do perfume. E flores agrestes acordam com suas roupas de chita multicor.

Tudo isto para brilhar um instante, apenas, para ser lançado ao vento, — por fidelidade à obscura semente, ao que vem, na rotação da eternidade. Saudemos a primavera, dona da vida — e efêmera.

Nota: Texto extraído do livro "Cecília Meireles - Obra em Prosa - Volume 1", Editora Nova Fronteira - Rio de Janeiro, 1998, pág. 366.

Domingo, Agosto 28

É preciso ter coragem


Quarta-feira, Agosto 24

Espelhos - Para quando me deixo ler

Sem medo de errar, afirmo-te que precisas de um par de olhos novos, se os seus olhos só conseguem enxergar aquilo que o espelho me mostra é porque você já se tornou tão frio quanto meu espelho. Já o disse e repito, cá entre nós, eu preciso é de calor humano se você não tem isso pra me oferecer acho então não tenha nada que vale a pena esperar de ti!
Bem sei que por vezes precisamos de um pouco de mentira, e outras vezes de algo que nos confronte com a nossa própria realidade, afinal nem sempre as nossas verdades são as melhores verdades! Mas, sempre espelho é o que foste. Espelho és!
.
Para te deixar mais claro o que quero te dizer, trago a definição do que sejas. 
E, "O que é um espelho? Não existe a palavra espelho - só espelhos, pois um único é uma infinidade de espelhos. - Em algum lugar do mundo deve haver uma mina de espelhos? Não são preciso muitos para se ter a mina faiscante e sonambúlica: bastam dois, e um reflete o reflexo do que o outro refletiu, num tremor que se transmite em mensagem intensa e insistente ad infinitum, liquidez em que se pode mergulhar a mão fascinada e retirá-la escorrendo de reflexos, reflexos dessa dura água. - O que é um espelho? Como a bola de cristal dos videntes, ele me arrasta para o vazio que no vidente é o seu campo de meditação, e em mim o campo de silêncios e silêncios. - Esse vazio cristalizado que tem dentro de si espaço para se ir para sempre sem parar: pois espelho é o espaço mais profundo que existe." [trechos de Clarice Lispector in "Os Espelhos"]

Quinta-feira, Agosto 18

Universidades brasileiras estão entre as 500 mais valorizadas na China

O Ranking Acadêmico de Universidades Mundiais usa seis indicadores para avaliar as instituições, entre eles o número de professores e alunos que ganharam prêmios.

Pequim - Universidades ibero-americanas lideradas por Brasil, Argentina e México se encontram no ranking das 500 mais valorizadas na China, em uma lista dominada por instituições americanas.

"As universidades latino-americanas e espanholas não registraram mudanças notáveis neste ano em relação ao ranking de 2010", disse nesta quarta-feira à Agência Efe Cheng Yin, diretor do programa do Ranking Acadêmico de Universidades Mundiais (ARWU, na sigla em inglês) 2011 (www.arwu.org), publicado nesta semana.

Os centros ibero-americanos que se situam nos 200 primeiros postos "foram beneficiados pelos prêmios internacionais que seus professores e graduados receberam e pelo número de teses", disse Cheng.

O ARWU usa seis indicadores para avaliar as instituições, entre eles o número de professores e alunos que ganharam prêmios Nobel e outros prêmios em ciências e economia, menções a seus pesquisadores e artigos publicados em jornais científicos.

Para a preparação da lista, que exclui ciências humanas, são levadas em conta mil universidades, das quais apenas a metade entra no ranking que é publicado desde 2003 pela Universidade de Jiao Tong, considerada a de maior prestígio na China e reconhecida pelo setor acadêmico mundial.

Seus resultados não são superficiais, já que a elite econômica e política chinesa costuma escolher as 100 mais bem situadas não só para a preparação de seus filhos, mas também para investir em imóveis nas cidades que acolhem essas instituições.

Apesar de várias instituições ibero-americanos aparecerem na lista, nenhuma delas se encontra entre as cem primeiras no ranking, dominado pelos EUA.

Além disso, os quatro centros mais bem posicionados são americanos. Em primeiro lugar aparece a Harvard, seguida por Stanford, Massachusetts Institute of Technology (MIT) e Berkeley.

A única instituição ibero-americana incluída entre as 150 melhores é Universidade de São Paulo (USP).

Fonte: Portal Exame

Domingo, Agosto 14

O pente nos meus cabelos é faca enquanto é garfo para os demais.

Um dia li uma frase em Hegel: "nada de grande se faz sem paixão". Mas nada de pequeno se faz sem amor. A paixão testa, o amor prova. A paixão acelera, o amor retarda. A paixão repete o corpo, o amor cria o corpo. A paixão incrimina, o amor perdoa. A paixão convence, o amor dissuade. A paixão é desejo da vaidade, o amor é a vaidade do desejo. A paixão não pensa, o amor pesa. A paixão vasculha o que o amor descobre. A paixão não aceita testemunhas, o amor é testemunha. A paixão facilita o encontro, o amor dificulta. A paixão não se prepara, o amor demora para falar. A paixão começa rápido, o amor não termina.

Não me dou paz sequer um segundo. Medo imenso de perder as amizades, de apertar demais as palavras e estragar o suco, de ser violento com a respiração e virar asma. Até a minha insegurança é amor. O pente nos meus cabelos é faca enquanto é garfo para os demais. Sofro incompetência natural para medir a linguagem das laranjas, acredito desde pequeno que tudo o que cabe na mão me pertence. Minha lareira não dura uma noite, esqueço da reposição das achas, do envolvimento da lenha no jornal, de assoprar o fundo. Brigo com o bom senso. 

Ou sinto calor demais ou sinto frio demais. Uma ânsia de ser feliz maior do que a coordenação dos braços. Um arroubo de abraçar e de se repartir, de se fazer conhecer, que assusta. Parece agressivo, mas é exagerado. Conto tragédias de forma engraçada, falo de coisas engraçadas como uma tragédia. Nunca o riso ou o choro acontece quando quero. Cumprimento como se fosse uma despedida. Desço a escada de casa ao trabalho com resignação, mas subo na volta pulando os degraus. Esse sou eu: que vai pela esperança da volta. [Fabrício Carpinejar].

Sábado, Agosto 13

Pactos. Acho que é isso.

O cara diz que te ama, então tá. Ele te ama.  
Sua mulher diz que te ama, então assunto encerrado.

Você sabe que é amado porque lhe disseram isso, as três palavrinhas mágicas. Mas saber-se amado é uma coisa, sentir-se amado é outra, uma diferença de milhas, um espaço enorme para a angústia instalar-se.


A demonstração de amor requer mais do que beijos, sexo e verbalização, apesar de não sonharmos com outra coisa: se o cara beija, transa e diz que me ama, tenha a santa paciência, vou querer que ele faça pacto de sangue também?


Pactos. Acho que é isso. Não de sangue nem de nada que se possa ver e tocar. É um pacto silencioso que tem a força de manter as coisas enraizadas, um pacto de eternidade, mesmo que o destino um dia venha a dividir o caminho dos dois.


Sentir-se amado é sentir que a pessoa tem interesse real na sua vida, que zela pela sua felicidade, que se preocupa quando as coisas não estão dando certo, que sugere caminhos para melhorar, que coloca-se a postos para ouvir suas dúvidas e que dá uma sacudida em você, caso você esteja delirando. "Não seja tão severa consigo mesma, relaxe um pouco. Vou te trazer um cálice de vinho".


Sentir-se amado é ver que ela lembra de coisas que você contou dois anos atrás, é vê-la tentar reconciliar você com seu pai, é ver como ela fica triste quando você está triste e como sorri com delicadeza quando diz que você está fazendo uma tempestade em copo d´água. "Lembra que quando eu passei por isso você disse que eu estava dramatizando? Então, chegou sua vez de simplificar as coisas. Vem aqui, tira este sapato."


Sentem-se amados aqueles que perdoam um ao outro e que não transformam a mágoa em munição na hora da discussão. Sente-se amado aquele que se sente aceito, que se sente bem-vindo, que se sente inteiro. Sente-se amado aquele que tem sua solidão respeitada, aquele que sabe que não existe assunto proibido, que tudo pode ser dito e compreendido. Sente-se amado quem se sente seguro para ser exatamente como é, sem inventar um personagem para a relação, pois personagem nenhum se sustenta muito tempo. Sente-se amado quem não ofega, mas suspira; quem não levanta a voz, mas fala; quem não concorda, mas escuta.


Agora sente-se e escute: eu te amo não diz tudo.
[ Martha Medeiros]

Domingo, Agosto 7

Gente Humilde

Tem certos dias em que eu penso em minha gente
E sinto assim todo o meu peito se apertar
Porque parece que acontece de repente
Como um desejo de eu viver sem me notar
Igual a como quando eu passo num subúrbio
Eu muito bem vindo de trem de algum lugar
E aí me dá como uma inveja dessa gente
Que vai em frente sem nem ter com quem contar
São casas simples com cadeiras na calçada
E na fachada escrito em cima que é um lar
Pela varanda flores tristes e baldias
Como a alegria que não tem onde encostar
E aí me dá uma tristeza no meu peito
Feito um despeito de eu não ter como lutar
E eu que não creio, peço a Deus por minha gente
É gente humilde, que vontade de chorar
[Composição: Vinicius De Moraes / Chico Buarque de Holanda]

Domingo, Julho 31

Esse é o amor

Em várias etapas deste blogue, pude desfrutar de textos que achei na internet e alguns recebidos por e-mail, particularmente interessantes, que quando os li, logo pensei: alguém já escreveu algumas coisas que precisavam ser ditas... Como exemplo, trago um "paper" escrito por José Valdir Pereira , onde o escritor afigura o amor no ar, retratando sua essência "que encanta os sonhos, os pensamentos dos poetas, os versos da poesia romântica, lírica;"  Além..., aquele amor que chora manso bem baixinho, nesse choro falando de sentimento harmônico e belo, digno ou grandioso, pelo qual vale a pena ler e refletir sobre:

"Esse é o amor"!
O amor que não magoa, que não fere, que não faz chorar, que não deixa desprezar, que acuda e acolha...

O amor que compreenda, que ama, que chega junto, que perdoa, que volta pela mesma porta que saiu - e sempre - ; o amor simples ou, simplesmente, um simples amor; O amor que faz a partilha da alegria, da tristeza e que não rejeita a esperança de uma nova vida, quando tudo desaba e nos sentimos sozinhos, cheios de angústia e desolados; o amor do bom vizinho, da lavadeira, do homem que nos olha sorrindo triste a pedir uma gota de carinho; o amor de quem prega a palavra do evangelho, sem tirar nem por; da velhinha que passou e só depois notamos quem havia passado;
O amor de uma borboleta, de um passarinho, de uma planta, de uma flor; O amor dos anjos, das crianças, do homem de fé; do mendigo, do palhaço, da chuva, do céu, do mar; daquele que vem dos amores constantes, distantes, sonantes e dissonantes, mas firme e verdadeiro, sem fim e sem meias palavras; o amor do verão, da primavera, do outono ou do inverno, mas que seja pra valer; o amor que viva na pureza da alma, nos lagos longe do alcance dos nossos olhos, das mãos, mas que o sintamos no coração; 

O amor que encanta os sonhos, os pensamentos dos poetas, os versos da poesia romântica, lírica; O amor que habita o coração das mulheres amadas, amantes e apaixonadas, e que se dão, se entregam por inteiro, corpo e alma, sem medida, como quer e deseja o amante, a amada; o amor que dá saudade, que esplode de alegria ao ser reencontrado, porque pensava estar perdido; o amor que vem ao amanhecer, puro e singelo, verdadeiro e perfeito, à mercê das flores e do cheiro devorador; ah, gostoso amor!
O amor que vem e vai e que chega sempre em todos os momentos que o queremos, que nos suporta, comporta, importa, conforta. O da boquinha da noite, ou àquele que nos desperta quando os passarinhos e as manhãs chegam nos oferecendo um novo dia; o amor que saiba abrir a porta quantas vezes precisemos; que devora na cama, nos seus braços, abraços, beijos, suado, molhado, atiçado, a qualquer hora...
O amor que começa, mas não termina, muito menos numa mesa de bar, numa noite de luar, na sessão do cinema, no final de um programa; O amor da canção, que passeia nos acordes do violão, e o da insinuada fisgada nos olhares cavilosos, cheios da libido e de tesão, que escapuliram do coração; o amor pela natureza e de tudo que nela há e dela vem; o amor da amizade, da mulher que amamos, dos nossos filhos, dos pais; o amor de todos...
Enfim, o amor de Deus, esse, nosso maior e melhor amor! (José Valdir Pereira).