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sexta-feira, janeiro 28

Ontem Fui, Hoje Sou


E chega um certo dia que nos transformamos de tal maneira que nem a própria essência do "outro" consegue nos enxergar. É o momento quando a caminhada da vida nos equilibra,  passamos a atingir um patamar quase invisivel...  
De tudo, só nos resta ser sempre o ontem e o hoje, indo salutando..., lembrando que o mundo não para. Como bem dizem, na natureza nada se PERDE.
Seguir em frente, andar devagar..., fazer boas escolhas...,  levando sorrisos e sentindo-se mais forte, mais feliz... conhecendo mais e mais o pulsar que existe dentro de si mesmo e sorrir... agradeçer a vida e o fato de poder sorrir simplesmente... SER e VIVER!

Fui,
um imolado daquela enfermidade social,
um náufrago daquele conformismo infernal,
um resto de uma existência dirigida,
um acompanhante desacompanhado.

Fui,

carne, que ardia em cada fenecer,
espírito que padecia em cada sofrer,
ninguém como alguém que nada quer ser,
produto de um meio que não se descondicionou.

Sou,

uma consciência desapossada e incontida,
um todo que se faz a si mesmo,
uma parte de um todo descontraído,
um ser que se encontrou e se fez sentido.

Sou,

alegria em todo amanhecer,
amante amado em todo anoitecer,
felicidade que se expande,
aquele que, apesar de tudo,
não deixa de ser.

[José Valdir Pereira]